Siron Franco

Siron Franco

Goiás,
1947

Pintor, escultor, ilustrador, desenhista, gravador e diretor de arte.

Em 16 de janeiro de 1950 , Gessiron Alves Franco mudou-se para Goiânia, indo residir numa zona de classe média baixa, Bairro Popular. Foi exatamente nessa localidade onde se deu o desastre com o Césio-137, em 1987.

Em 1959 a primeira obra conhecida de Siron. Não se sabe ao certo quando Siron começou a ter contato com as artes visuais ou quando passou a demonstrar certo interesse nesta direção. Sabe-se, no entanto, que, em Goiânia, as pessoas de classe média costumavam decorar as paredes de suas casas com reproduções ruins e baratas dos mestres europeus – da Renascença ao Impressionismo. Possivelmente, teriam sido essas reproduções o primeiro contato que teve Siron com as artes visuais. Na casa de seus pais havia, por exemplo, uma reprodução da Última Ceia de Leonardo Da Vinci. Configurando esse fato como sendo o primeiro contato de Siron com as artes visuais, não há como precisar a data em que ele começou a pintar. Nesse ano numa curta viagem de seus pais, Siron pintou a Última Ceia na parede de sua casa.

Um ano depois em 1960, Siron passou a freqüentar o Estúdio ao Ar Livre, supervisionado por dois pintores locais, D.J. Oliveira e Cleber Gouvêa. Como lhe faltassem tempo e meios para bancar as aulas de pintura, não teve um envolvimento muito singular com esse estabelecimento. Talvez estivesse lá apenas como observador. Foi nesse local que encontrou, além da grande ajuda dos pintores citados, o pintor Confaloni, o fundador da primeira escola de belas-artes de Goiânia e seu primeiro mentor.

Em 1961 começa a trabalhar numa editora, emprego que lhe permite conseguir uma coisa cara para ele: o papel.

Entre 1962 a 1966 sem emprego fixo e estabilidade financeira, Siron aprendia sozinho a dominar a técnica do desenho e, de forma já não tão autodidata, a da pintura. Seu método se baseava na observação e experimentação. Começou a manter-se como retratista, pintando quadros a óleo, técnica que domina, mas raramente faz uso dela.

Aceitava encomendas como desenhista gráfico e até mesmo qualquer trabalho que surgisse.
No ano de 1967, Siron pintou a mulher do governador de Goiás. Com esse trabalho, sua reputação de retratista cresceu e expandiu-se até Brasília, onde retratava as figuras da alta sociedade.
Nesse ano, Siron fez sua primeira exposição individual de desenhos, no Hotel Bandeirante. Submeteu três desenhos em nanquim à comissão julgadora da Segunda Bienal da Bahia.

Um ano depois Siron expôs as três obras aceitas na Segunda Bienal da Bahia: Cavalo de Tróia, Fim de Todos e Morte aos Primogênitos. Na noite de abertura, a Bienal inteira foi fechada pelo regime militar e duas de suas obras foram destruídas, sobrevivendo apenas o Cavalo de
Tróia que recebeu o Prêmio de Aquisição.

Em 1969 realizou sua segunda exposição individual na Fundação Cultural de Brasília, onde expôs desenhos e pinturas. Nessa fase, Siron começou a pintar temas sacros, em especial Madonas, que era mercadoria muito vendável e aceita nos países latinos. Esses rendimentos permitiam a Siron certa liberdade financeira para desenvolver sua própria obra que, na época, carecia ainda de definição e era invendável.

Em 23 de março de 1970 , muda-se para São Paulo.
Trabalhou com Bernardo Cid e Walter Levy. Fez, nessa época, alguns trabalhos que ele denominou “Era das Máquinas”. Conhece O Museu de Arte Moderna de São Paulo (MASP).
Participa de uma coletiva integrando o grupo que faria a exposição “Surrealismo e Arte Fantástica” na Galeria Seta de São Paulo, onde apresentou as obras Eros e Tánatos.

Em 1971, Siron volta com sua família para Goiânia. Preparou trinta telas que enviou ao Iate Clube, no Rio de Janeiro, onde faria sua primeira exposição individual naquela cidade.

Em novembro de 1972, ele expôs 42 obras no Iate Clube do Rio de Janeiro. Nessa época as obras de Siron tiveram um grande defensor em Walmir Ayala, escritor e crítico de arte na seção cultural do Jornal do Brasil. Em seu artigo “O Pesadelo Tecnológico”, ele diz: “A cibernética, o sonho tecnológico, são as forças motrizes do maduro surrealismo de Siron, que tem em Bosch e na pintura flamenga como entre Deus e sua criação, a semelhança foi sendo desfocada por este poderoso artista goiano e o Bosch se viu ampliado e sertanejamente interpretado”.

Em 1973 abandona o estilo hiper-realismo para pintar figuras isoladas, deformadas, sugerindo fetos, centradas sobre a tela. Nessa exposição surge mais uma figura-chave em sua carreira: o crítico Jayme Maurício, que se tornou o primeiro mentor intelectual de Siron.
Siron foi convidado a participar do Primeiro Salão Global Primavera, em Brasília. Recebeu o Prêmio de Viagem, que consistia de uma permanência de seis meses no México. Seria a primeira vez que deixaria o Brasil.
Um ano depois Siron volta ao Brasil. Seus trabalhos são admitidos na 12a. Bienal Nacional de São Paulo. Siron saiu vitorioso, entre 145 concorrentes, ganhando o Prêmio no valor de mil dólares, além de ser o melhor pintor do ano e único representante brasileiro na 13. Bienal Internacional de São Paulo.
Participou do 23o. Salão de Arte Moderna no Museu Nacional de Belas-Artes, Rio de Janeiro, recebendo o Prêmio de Isenção do júri.
Participou ainda de duas exposições coletivas: a de artistas brasileiros, realizada no Museu Nacional de Osaka, no Japão e na da Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro.
Apresentou-se sozinho também na Galeria LBP de Goiânia e Petite Galerie no Rio de Janeiro.
Apesar de bem aceito pela imprensa e estar vendendo bem, Siron continuava a pintar madonas e figuras com ar de madonas. Talvez porque com a família sempre crescendo as necessidades também crescessem.

No mês de maio de 1975, apresentou três obras para serem expostas no 24o. Salão de Arte Moderna do Rio de Janeiro, no Museu Nacional de Belas-Artes: A Rainha, O Espelho e O Limite do Sistema. O quadro A Rainha valeu-lhe o Prêmio de Viagem, correspondente a uma estadia de dois anos num país estrangeiro de sua escolha e uma bolsa de quinhentos dólares mensais. Na ocasião, tal Prêmio constituía a mais alta honraria a que poderia almejar um artista brasileiro.
Exposição individual na Galeria Oscar Seráphico, em Brasília. Em novembro foi designado para representar o Brasil na 13a. Bienal Internacional de São Paulo, onde recebeu o Prêmio Internacional da Fundação, no valor de três mil dólares.
Aos 28 anos Siron já havia recebido os mais importantes prêmios do país.

Em 1976 Siron parte para a Europa, tendo voltado diversas vezes ao Brasil para cumprir compromissos profissionais.

No ano de 1977 Siron participou de uma exposição itinerante, intitulada “Brasil e sua arte contemporânea” que percorreu várias embaixadas brasileiras na Europa.

Em 1979, Siron foi novamente convidado para representar o Brasil na 15.Bienal Internacional de São Paulo, onde o diretor do MASP, Sr. Bardi adquiriu toda a exposição.
Simon realizou ainda duas exposições: uma coletiva, denominada “Figuração Referencial” montada no 11o.Salão de Artes de Belo Horizonte, e outra individual na Galeria Casa Grande, em Goiás.

Em julho de 1980, a mostra coletiva itinerante “Hilton painting highligts” começaria por Brasília e viajaria, em seguida, para os Museus de Arte Moderna de São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.
Ganhou o Prêmio de melhor pintor do ano.
Também participou da coletiva “Vinte Pintores Brasileiros” no MASP.
Depois de sua volta da Espanha, o artista declarou que, vivendo no estrangeiro, se sentira estimulado pelas cores. Havia tomado consciência do quanto era colorido o Brasil.
A partir daí a cor começou a ser a forca motriz das obras de Siron.
Da aliança com uma rica e densa imagística resultou a combinação que se tornaria imbatível.
Em novembro, Siron expôs 37 telas, intituladas “Semelhantes”, cujas dimensões eram, para os padrões brasileiros, muito avantajadas. Algumas das obras haviam recebido número e título, outras apenas números. Formava em seu conjunto a série denominada “Semelhantes”. Foi considerada por muitos como a melhor exposição já feita por Siron, e, esse foi um momento decisivo na carreira do artista, assinalando a trajetória passada como os caminhos futuros que viria a seguir.
Faz a primeira exposição na Bahia, na Fundação Cultural do Estado, levando essas obras.

Em 1985 dirige um documentário para a TV, denominado Xingu. O Filme foi premiado com uma medalha de ouro no Festival Mundial de Televisão e exibido na Bienal de Veneza.

Participa da 2a. Bienal de Havana em 1986.
Faz três outras exposições coletivas: URBS, na Galeria Montesanti, no Rio de Janeiro O futebol-arte no Brasil, uma exposição itinerante que partiu de São Paulo e viajou por diversas cidades mexicanas Primeira exposição de “Arte contemporânea Christian Dior”, no Paço Imperial, no Rio de Janeiro.
Realiza duas exposições individuas: Galeria São Paulo e Galeria Montesanti, ambas em São Paulo.
A comunidade baiana, radicada em Brasília, encomendou a Siron o primeiro monumento público que faria em sua vida. Participa, como diretor artístico, da realização do documentário televisivo Pantanal.

Em 1987 com uma vida financeira bastante equilibrada, muda-se com a família para uma casa recém construída nos arredores de Goiânia, em Buriti Sereno, onde instala seu novo estúdio.
Já referenciado pela imprensa e pelos marchands e diretores de museus, Siron podia dar-se ao luxo de abandonar o circuito Rio-São Paulo e fixar-se no seu habitat predileto que é Goiânia, de onde sai o menos possível.
É convidado a criar cinco mil diferentes placas de cerâmicas, projeto que lhe custou 45 dias de trabalho com toda a equipe, para o proprietário da Cecrisa presentear amigos que participavam de conferência em Brasília.

Em obras do fim da década de 1990, o artista passa de uma figuração mais evidente para a utilização de grandes planos cromáticos, em obras quase abstratas, nas quais emprega diversas técnicas: colagens, desenhos e grafismos. Como aponta Dawn Ades, sua produção destaca-se pela inovação formal, pelo compromisso com o satírico, que convive de maneira inusitada com a pintura “séria”, e pela referência a importantes questões políticas e sociais, como a ecologia e a defesa dos povos indígenas.

Para Siron Franco “a arte tem a finalidade de tentar dias melhores para o homem”. Ele afirma: “eu tento, ao meu modo, testemunhar a minha época, o que faço é uma crônica subjetiva da época em que vivo”.

Em julho de 1994, o artista foi convidado para participar do prêmio MARCO, no Monterrey Museum of Contemporary Art. A obra enviada, um políptico intitulado Marcas na tela, passou a fazer parte do acervo do museu.

Dono de uma técnica impecável dá uma atmosfera dramática a seus quadros com a utilização de tons escuros, cinza e marron. Com mais de 3.000 peças criadas, além de instalações e interferências, teve sua obra representada em mais de uma centena de coletivas em todo o mundo, incluindo os mais importantes salões e bienais.

obras disponíveis

Siron Franco
Peles e tripas do Brasil
, 1997
Gravura
104 x 83 cm