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Galeno, o mistério do simples

A CAIXA Cultural Brasília apresenta a exposição “Galeno, o mistério do simples”, do dia 16 de junho a 4 de outubro de 2026, uma grande celebração a um dos mais importantes artistas visuais brasileiros contemporâneos, a ser realizada um ano após sua partida precoce, em 2 de junho de 2025. A curadoria de Paulo Herkenhoff foi uma escolha do artista, ainda durante o processo de criação da exposição, e a coordenação geral está a cargo da Referência Galeria de Arte.

A mostra apresenta um amplo panorama da trajetória de Galeno, por meio de pinturas, esculturas em madeira, gravuras, objetos de diferentes dimensões, obras produzidas no início da carreira do artista até as mais recentes, entre elas três do acervo do MAB- Museu de Arte de Brasília e o documentário “Galeno, Curumim Arteiro”, do cineasta Marcelo Diaz.

A exposição propõe uma imersão no universo poético do artista, com fotos, matérias de jornais, objetos pessoais e sua forte relação com o futebol, em especial o Botafogo- time do coração do artista-, como forma de valorizar a memória, da infância, da cultura popular brasileira e das experiências afetivas que atravessaram a produção de Galeno. Entre as obras, destacam-se o mural da Igrejinha da 308 sul e o calçadão de Brazlândia, espaços já incorporados ao cotidiano e à paisagem urbana de quem vive no Distrito Federal.

Em um trecho da apresentação, o curador Paulo Herkenhoff pontua: “Francisco Galeno se escreve com S de Simples, como no título de sua exposição ‘O Mistério do Simples’”, estabelecendo conexões entre a modernidade, a artesania e os códigos da arte popular brasileira, revelando a potência estética presente nos gestos cotidianos e nos materiais simples transformados pela imaginação do artista. “Galeno se comunicava diariamente com um grupo de pessoas amigas, do qual tive o prazer de fazer parte, com textos e fotos do seu entorno. Tinha orgulho de vir de uma família simples do Piauí”, afirma Herkenfoff, que acrescenta que o grande orgulho do artista era a família e as conquistas de seus filhos e netos. “Ele foi um menino candanguinho, que escolheu viver em Brazlândia”, finaliza Paulo.

Segundo Onice Moraes de Oliveira, da Referência Galeria de Arte, responsável pela coordenação geral da mostra, o título escolhido pelo curador traduz a essência da obra do artista. “A obra dele é simples, colorida, alegre, transmitindo autenticidade e verdade. O projeto, que era para ser uma retrospectiva da vida dele, depois de sua morte, passou a ser uma celebração”, afirma ela, que faz questão de ressaltar o fascínio que as obras de Galeno despertam nas pessoas. “A simplicidade da obra do Galeno é tão querida e tão desejada que passa a ser um mistério”.

Para João Francisco de Andrade Galeno, filho do artista, a exposição tem um significado profundamente emocional e simbólico. “A exposição individual do meu pai na Caixa Cultural é algo que nós vínhamos conversando e tentando realizar há alguns anos. Infelizmente, ele não estará aqui para viver esse momento da forma como gostaríamos, mas sabemos que continuará presente através das suas obras, da sua história e das memórias que deixou em cada pessoa que teve a oportunidade de conhecê-lo e admirar sua arte”, afirma.

João destaca ainda o caráter de legado da mostra. “Para nossa família, é um momento muito especial e emocionante, principalmente por ver seu trabalho ocupando um espaço tão importante para a cultura brasileira. Tenho certeza de que essa exposição será também uma forma de manter vivo todo o legado que ele construiu ao longo da vida. Mais do que uma exposição, esse momento representa o reconhecimento de toda uma trajetória dedicada à arte.”

Sobre Galeno

Nascido no dia 13 de maio de 1956 na Parnaíba (PI)- onde manteve um ateliê ao longo da vida-, e criado em Brazlândia, Galeno construiu uma obra profundamente atravessada por suas origens e pelas experiências vividas entre o Nordeste e o Cerrado brasileiro. Seu olhar curioso e afetuoso para as manifestações culturais, os brinquedos populares, os objetos cotidianos e a história da arte consolidou uma produção singular, reconhecida nacional e internacionalmente.

Considerado um dos principais nomes das artes visuais no Brasil, Galeno participou recentemente da 14ª Bienal do Mercosul, da exposição “Brasília, Arte da Democracia” e realizou a individual “O Piauí é aqui – o Piauí não é aqui”, na Galeria Galatea. Em 2025, sua obra “As Quatro Estações” passou a integrar o acervo do Palácio do Planalto.

Sobre Paulo Herkenhoff

Um dos mais importantes curadores e críticos de arte da América Latina, responsável por projetos fundamentais para a compreensão histórica da arte brasileira contemporânea, como o Pavilhão Brasileiro da 47ª Bienal de Veneza e a histórica 24ª Bienal de São Paulo, conhecida como “Bienal Antropofágica”. Herkenhoff destaca ainda que “pensá-lo como um artista ingênuo ou apenas ‘popular’ é um equívoco”, ressaltando a sofisticação formal e conceitual presente na obra do artista. “Galeno produziu uma geometria sensível, construída entre a cultura popular brasileira, a memória afetiva e a experiência contemporânea”, afirma ele.

Referência Galeria de Arte

Ao longo de trinta anos de atividades como uma das principais galerias de arte em Brasília, a Referência atua destacadamente no cenário cultural de Brasília, promovendo e divulgando a produção de artistas locais, nacionais e internacionais, contribuindo para a integração da capital federal no circuito artístico brasileiro.

A Referência Galeria de Arte sempre manteve uma importante relação institucional com Galeno, levando suas obras para espaços como Caixa Cultural, Museu dos Correios e relevantes feiras do segmento como SP Arte e ArtRio. Além disso, realizou exposições marcantes na galeria, como “Arte por Engano” e “Meu Galeno”- esta última, uma homenagem ao artista que traduz o desejo dos amantes das artes de possuir uma obra de Galeno.

“Galeno, o mistério do simples” reafirma a força de uma obra que transformou memória, matéria e imaginação em linguagem artística, celebrando o legado de um criador que soube revelar, na simplicidade, uma profunda dimensão poética do Brasil. Depois de Brasília, a mostra segue para Caixa Cultural São Paulo (6/11/26 a 7/02/2027) e Rio de Janeiro (26/10/27 a 13/02/28).

Serviço:

Exposição: Galeno, o mistério do simples

Curadoria: Paulo Herkenhoff
Coordenação geral: Referência Galeria de Arte

HorárioDe terça a domingo, das 9h às 21h
Abertura: 16 de junho
Visitação: 16 de junho a 4 de outubro
LocalCAIXA Cultural Brasília

Entrada: Franca
Classificação indicativa: Livre para todos os públicos

Assessoria de Imprensa: Tátika Comunicação / Kátia Turra (61) 99224-7294 @tatikaturra


Claudio Tozzi

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