Onde a Cor Não tem Razão

Onde a cor não tem razão

No próximo dia 2 de junho, a Referência Galeria de Arte inaugura duas mostras individuais com dois dos mais importantes artistas da atualidade. A geometria da Luz, de Hildebrando de Castro, e Onde a cor não tem razão, de Galeno, tem um único ponto em comum, Brasília como pano de fundo. Cada artista ocupará um andar da Referência. As obras ficam em exposição de 2 a dia 30 de junho, de segunda a sábado, das 10h às 22h, e domingos e feriados, das 14h às 20h.

Hildebrando de Castro e Galeno são representados pela marchand e proprietária da Referência Galeria de Arte, Onice Moraes, que realiza a abertura das duas mostras no dia 2 de junho, das 17h às 21h. Onice ressalta que as duas exposições são individuais. “O novo espaço da Referência inaugurado em março, permite realizar várias mostras e eventos simultâneos. Paralelo às exposições, serão realizadas visitas guiadas ao acervo, palestras e lançamentos de livros”, informa a marchand.

Os dois artistas apresentam trabalhos que fogem de seus temas habituais. Hildebrando de Castro trabalha as formas retas das fachadas de prédios, onde o ponto focal são a luz e a sombra. Já Galeno, depois de passar alguns meses no Piauí, volta a Brasília com um traço livre, sem uso da cor, em desenhos que buscam um reencontro com as origens, dele e de sua relação com a cidade, as pessoas e o modo de vida mais simples.

Galeria 1 – Piso Térreo

A geometria da luz – Hildebrando de Castro

O ponto de partida da obra de Hildebrando de Castro é o brise-soleil (um tipo de pára-sol instalado nas fachadas dos prédios), marca registrada da arquitetura de Le Corbusier e que em Brasília foi potencializada nos prédios da Esplanada dos Ministérios. “Meu encantamento com a arquitetura teve início há quatro anos, quando visitei Brasília e me apaixonei pela luz projetada sobre a fachada do Anexo da Câmara dos Deputados”, afirma Hildebrando. O brise-soleil, dependendo da incidência da luz, fazem com que a cada dia toda uma nova obra de arte surja na paisagem e que jamais voltará a se repetir. “Cada janela se abre como quer, dando matizes de cores diferentes à paisagem”, completa.

Em a série A geometria da luz, a situação rítmica que as lâminas verticais criam a cada movimento singular – de abrir ou fechar as janelas – geram infinitos matizes e valores tonais. Toda nova luz projetada nos elementos metálicos abre distintas possibilidades de composições cromáticas. O trabalho de Hildebrando sempre operou no terreno da representação figurativa. Valendo-se dos mesmos procedimentos usados anteriormente, nesse novo trabalho a estratégia permanece: Empregar o enquadramento e a luz da fotografia como referência para a construção da pintura.

Nesta mostra, composta por seis telas de tamanhos variados que vão de 0,70mX0,50m a 1,80mX2,40m, e dois objetos tridimensionais, Hildebrando exibe um leque de possibilidades relacionadas à geometria. A realidade da “objetiva” traz substrato para unir geometria e representação, estabelecendo vínculos com o construtivismo e suas vertentes.

Galeria 2 – Subsolo

Onde a cor não tem razão – Galeno

“A cor neste trabalho é apenas um detalhe, um intruso, um luxo”, diz Galeno, que define seus novos trabalhos como um retorno às origens. Em julho de 2011, ele passou um mês no Delta do Parnaíba, Piauí. Ali, sentiu-se livre para fazer apenas rabiscos, que em muito lembravam o que ele fazia havia mais de 20 anos. Em dezembro, embarcou novamente para, desta vez, ficar mais quatro meses a fio apenas vivendo a vida e desenhando. “É o primeiro ato, o rabisco no papel usando o lápis ou o nanquim sobre o papel branco de forma espontânea”, afirma Galeno. “Quis trazer à tona tudo o que era mais íntimo: pensamentos, lembranças, crenças, vida mundana, liberdade total de expressão”, diz.

Na mostra Onde a cor não tem razão, Galeno apresenta um exercício de liberdade de expressão. São 13 desenhos de 1mX0,7m feitos à mão livre que mostram imagens sagradas, mundanas, memórias afetivas. Nossa Senhora Aparecida como foi encontrada pelos pescadores, envolta em uma rede. Estão também as cenas do cotidiano do Setor Comercial Sul e do Conjunto Nacional, do tempo em que Galeno trabalhava e caminhava por lá. Ali, estão o vendedor de chocolate, o pessoal que faz programa, os funcionários dos escritórios. “Fiz de forma intuitiva e o traço livre, sem me preocupar com as formas. Nesse trabalho está boa parte das minhas memórias afetivas”, completa.

Sobre Hildebrando de Castro

Hildebrando de Castro nasceu em Olinda, 1957. Vive e trabalha em São Paulo. Hildebrando de Castro é um repórter da visualidade, um atento observador das formas e cores do mundo. A sua capacidade técnica inegável está sempre a serviço de uma precisa e contundente análise sobre a vida e seus paradoxos, sobre os limites delicados entre o fantástico e o real; fiel ao espírito da contemporaneidade ele é um artistas das frestas, das passagens, das coisas do mundo que sugerem leituras diferenciadas, verdades várias, vagas, vastas em seus mistérios, variadas interpretações.

Sobre Galeno

Francisco Galeno nasceu na Parnaíba, Piauí, em 13 de maio de 1957, dia de Nossa Senhora de Fátima. Vive e trabalha em Brazlândia, cidade satélite do Distrito Federal, desde 1975. Freqüentou o ateliê-escola do pintor Moreira Azevedo, artista português radicado em Brasília. Fez curso-livre com Maria Pacca, no Centro de Criatividade da Fundação Cultural do DF, sob a direção de Luiz Áquila. Hoje, Galeno é um dos artistas plásticos mais respeitados do país. A obra de Galeno tem forte diálogo com a arte popular. Suas cores e pinceladas vibrantes carregam de vida as formas geométricas que cria para formar um âmbito de festa declarada.

Sobre a Referência Galeria de Arte

Fundada em 1995 pela marchand Onice Moraes, a Referência Galeria de Arte ocupa hoje um espaço especial no mercado de arte no País. O acervo com mais de 2 mil obras de 42 artistas reúne importantes nomes das artes plásticas produzidos nos últimos 50 anos. Em março deste ano, a Referência deu um salto e inaugurou sua nova galeria na área central do CasaPark (Brasília), em um espaço de 400m², distribuídos em 2 andares. A área três vezes maior que a antiga galeria, foi pensada para receber obras de variados tamanhos, mídias e suportes. A Galeria 1, no Piso Térreo, tem o pé direito de 4,80m e paredes amplas que permitem expor mais obras de arte, telas, esculturas e instalações, sem limitações de formato. No outro andar, o amplo salão da Galeria 2 reúne área expositiva, espaço para palestras e workshops, café e biblioteca além de concentrar todo o acervo da galeria com mostradores no padrão museológico. Os clientes poderão conhecer e examinar com mais conforto as obras de artistas consagrados e os trabalhos dos novos expoentes, frequentemente, incorporados ao acervo da Galeria. A Galeria 2 permite o acesso direto dos visitantes pois suas portas se abrem na pista de estacionamento da garagem.

Conheça o acervo da Referência Galeria de Arte, acesse o site www.referenciagaleria.com.br.

Serviço
Referência Galeria de Arte
Mostras individuais de

Hildebrando de Castro
A geometria da luz
Piso Térreo

Galeno
Onde a cor não tem razão
Piso Subsolo

Abertura
2 de junho, das 17h às 21h.
Em exposição
De 2 a 30 de junho
Segunda a sábado, das 10h às 22h.