R.Godá – Desenhos e Pinturas

R.Godá – Desenhos e Pinturas

Com uma obra que transita entre o desenho e a pintura, o artista visual Rodrigo Godá abre mostra na Referência Galeria de Arte com trabalhos repletos de referências a elementos da natureza, fazendo uma ponte entre a arte e a arte popular

O diálogo com o seu tempo e com as questões que movem a sociedade na atualidade são os pontos de partida para o trabalho de Rodrigo Godá, que poderá ser visto a partir do próximo sábado, 7 de maio, às 17h, na Referência Galeria de Arte. Com curadoria de Divino Sobral, a mostra “R.Godá – Desenhos e Pinturas”, traz a mais recente produção do artista visual que trabalha e produz em seu atelier em Pirenópolis, Goiás. São 14 trabalhos inéditos que abordam temáticas relacionadas à tecnologia e às festas e tradições populares, criando uma ponte entre a arte erudita e a popular. A mostra fica em cartaz até o dia 4 de junho, de segunda a sexta, das 12h às 19h, e sábado, das 12h às 17h. A entrada é gratuita e livre para todos os públicos. A Referência Galeria de Arte fica na 205 Norte, Bloco A, Loja 9, Brasília – DF. Telefone: 61 3361-350.

A dedicação do artista aos ofícios da arte, no seu rico imaginário ocorre a fusão do lúdico com o lírico, num estado psíquico de encantamento provocado pelo sujeito brincante que reconfigura o mundo ao gosto de sua subjetividade, afirma Divino Sobral. Impregnada de referências à arte popular, à estamparia e ao grafismo, a obra de Rodrigo Godá, deriva de um mergulho em seu processo criativo e do exercício de articulação e de ampliação de seu repertório.

A série que será apresentada em Brasília é resultado da busca de uma identidade própria para seu trabalho. “Posso dizer que labuto em cima dela desde os primeiros experimentos gráficos, no final dos 1990. O que será exposto agora permite visualizar o momento atual do meu processo criativo”, comenta Rodrigo Godá. Elementos como máquinas, engenhocas, plantas e animais e também seres fantásticos como dragões povoam o imaginário do artista há tempos. “Meu repertório tem continuidade e rupturas, requer que seja visto em conjunto, tudo ali reunido. São a natureza e a vida urbana, com seus dilemas, angústias e também esperanças, que permeiam minha obra”, explica Rodrigo.

Desde o início, Rodrigo Godá assumiu a propriedade gráfica que se configura em suas obras atuais com uma força capaz de dirigir a ocupação do espaço bidimensional, os procedimentos de composição e de aplicação da cor. É o desenho, até certo ponto despojado, constituído pela linha de contorno, que define as formas e que preside a estrutura de sua linguagem. Alguns de seus trabalhos tidos como pintura são na verdade executados com a aplicação de um desenho feito com uso de canetas de tinta preta sobre a tela coberta como um campo de cor chapada ou sobre fundo branco. Ora fina ora espessa ora hachura ora colorida ora preta, a linha delimita o repertório de figuras que preenchem o plano de maneira compulsiva, quase sem áreas vazias, com implicações de grafismo, estamparia e decoração, oriundas da proximidade com a estética vernacular.

Do P&B ao colorido
Ainda que neste recorte a maior parte das obras sejam em preto e branco, a cor segue presente na narrativa pictórica de Rodrigo Godá. Da adolescência, ele guarda uma relação íntima com o artesanato brasileiro e a arte indígena, acrescentando ao seu arcabouço de referências a participação em festas tradicionais, como o carnaval, a Folia de Reis, as Cavalhadas e seus dos tecidos multicoloridos e estamparias que passavam pela máquina de costura de sua mãe. Mais tarde, o contato com exposições e livros de arte amplificaram as possibilidades de interação, levando à aplicação dessas referências em seus trabalhos.

No entanto, sua inspiração maior vem das cores da natureza. Ela – com seus desenhos e formas – é que, hoje, serve de modelo gráfico. A obra de Rodrigo Godá transita entre a pintura e o desenho. Suas pinturas não carregam em si valores essencialmente pictóricos, pois não é o elemento definidor do espaço e da linguagem. “A cor tem o papel de preencher as áreas específicas de acordo com um programa cromático intuitivo que resulta na elaboração de harmoniosos e delicados arranjos musicais, feitos dos breves soares dos encontros de uma cor-nota com outra”, ressalta Divino Sobral. “Existe um estado poético quase lisérgico causado pelo excesso de imagens se movimentando sobre a superfície”, completa o curador.

Sobre o artista
Nascido em Goiânia, Goiás, Rodrigo Godá já participou de mostras individuais e coletivas em todo o país, como “Aurora Tecnicolor” e “Imagem Adquirida, ambas no Museu de Arte Contemporânea de Goiás. Seus trabalhos foram apresentados a colecionadores e hoje fazem parte de coleções privadas, como a de Gilberto Chateaubriand, que também incluiu obras do artista em seu livro “Um Século de Arte Brasileira – Coleção Gilberto Chateaubriand”. Seus trabalhos anteriores podem ser vistos, ainda, nas publicações “Coleção Ana Luisa e Mariano Marcondes Ferraz”, de 2007, e “Trilogia: 1920 a 1950 – Roberto Conduru / 1960 a 1980 – Ligia Canongia / 1990 a Atualidade – Luiz Camilo Osório”, 2014.

Sobre o curador
Um dos mais importantes curadores brasileiros, Divino Sobral é também artista e crítico de arte. Com exposições dentro e fora do país, carrega no currículo o Prêmio Curadoria do Prêmio Marcantonio Vilaça CNI SESI SENAI (2015); Prêmio de Crítica de Arte do Situações Brasília Prêmio de Artes Visuais do DF (2014); Rede Nacional Artes Visuais Funarte (2012); Conexão MinC/Funarte/Petrobras (2012); Prêmio Marcantonio Vilaça MinC-Funarte (2009); Prêmio Festival de Inverno de Bonito, MS (2005); 10 melhores da mostra Antarctica Artes com a Folha, São Paulo (1996).

Serviço
R.Godá – Desenhos e Pinturas
De Rodrigo Godá
Curador: Divino Sobral
Inauguração: 7 de maio, às 17h
Visitação: Até 4 de junho
De segunda a sexta, das 12h às 19h
Sábados, das 12h às 17h

Referência Galeria de Arte
Endereço: 205 Norte, Bloco A, Sala 9
Asa Norte, Brasília-DF
Telefone: (61) 3361-3501