Parede Vazia

Tudo começa com uma parede vazia

Guia básico para começar uma coleção de arte, preferencialmente contemporânea

alvo raras exceções, ninguém nasce colecionador, muito menos compra um quadro para sua casa pensando em iniciar uma coleção de arte. E quem compra um quadro pela primeira vez, novamente, salvo raras exceções, vai começar com a obra de um mestre da pintura ou da escultura. O mais certo mesmo é que o primeiro quadro que irá para a parede da sala será para combinar com o sofá, a cortina ou para não deixar aquela parede branca vazia, tirando do ambiente aquela cara de “ninguém mora aqui”. Não demora muito, a moradora ou o morador descobre que as paredes brancas parecem se multiplicar e aquele quadro precisa de um irmão, menor ou maior, não importa. Ela ou ele não sabe ainda, mas é nesse momento que pode se formar a personalidade de um colecionador. Se esse é o seu caso, você tem duas opções: Ou você para agora e deixa as paredes de sua casa refletirem a luz do dia ou da luminária do teto ou você começa uma pequena, talvez modesta, talvez média ou uma gigantesca coleção de arte. Tudo vai depender do que você quer fazer daqui para frente.  

Se você quer seguir adiante e começar a colecionar, pense que você não está sozinho nessa jornada. Muitos já estiveram nessa posição, alguns com mais dinheiro e outros com menos. Mas todos com o mesmo dilema: Por onde eu começo? Lembre-se de que o primeiro passo você já deu. Agora seu desafio é fazer as escolhas que mais se aproximam do seu perfil de gosto, de tema, de técnica, de preço. Algumas dicas podem ajudar você a dar os primeiros passos em direção a uma coleção de arte bem interessante e bem-sucedida. 

Primeira dica: Não olhe para os grandes nomes da arte como Picasso ou Rembrandt. Fique de olho nos novos artistas. Há muitos bons em início de carreira, com uma trajetória promissora pela frente e precisando do impulso de um colecionador interessado em investir em um trabalho inovador. Lembre-se, quem chega antes faz melhores escolhas a preços mais acessíveis.

Ainda falando do quesito dinheiro, e essa é uma questão importante, a segunda dica: Negocie! Mas seja razoável para não desgastar uma relação que poderá ser frutífera e longeva. Descontos para pagamentos à vista são bem-vindos para todos. Vale também parcelar a compra em prestações que não apertem o seu orçamento nem estrangulem o do artista. Ele paga contas assim como você.     

terceira dica tem a ver com o conceito de economia circular, em que você compra de quem está perto ou produz perto de você. Assim, valorize a produção local. Certamente na sua cidade ou região existem artistas produzindo obras de qualidade, bonitas, inovadoras, que privilegiam novos materiais, novas linguagens e galerias de arte que representam esses artistas e mostram suas produções. Você pode até não saber que existem artistas produzindo às vezes na casa ao lado, mas certamente tem alguém de olho no que está sendo produzido logo ali, bem pertinho de você e, também, galerias de arte. Atreva-se a olhar para os lados. 

quarta dica vem de um grande colecionador de arte norueguês, que ainda jovem começou a colecionar. Erling Kagge é norueguês. Explorador de terras insondáveis, montanhista, editor e advogado, ele ganhou fama por ser a primeira pessoa a caminhar sozinha até o Polo Sul, além de escalar o Monte Everest. Em 2015, ele lançou o livro “A Poor Collector’s Guide to Buying Great Art”, em tradução livre, uma vez que esse livro ainda não tem edição em português, é “O guia para colecionador pobre para comprar boa arte”. Ele listou 24 dicas, que resumem a forma como ele conseguiu comprar obras de grandes artistas a bom preço. “Cultive bons olhos, nariz e ouvidos”, diz ele. “Às vezes é difícil diferenciar entre arte boa e arte ruim”. Kagge recomenda não apenas treinar os olhos, mas também o nariz e os ouvidos. Ou seja: ouvir o que as pessoas estão dizendo. Kagge relembra um encontro com o lendário marchand Irving Blum, que disse a ele que, ao ouvir o nome de um artista mencionado por duas ou mais pessoas em que confia, ele sempre foi ver tais artistas.

quinta dica, que tem relação com a quarta, trata de unir o útil ao agradável. Visite museus, centros culturais, exposições em galerias independentes – estas têm entrada gratuita -. Veja o que estão expondo, e como o que eles mostram se relaciona com o que você está pensando sobre sua coleção. As galerias comerciais, visite tantas quantas puder. Peça para visitar os acervos, fale com os atendentes, conheça os galeristas. Eles sabem quais são os jovens artistas que estão começando a decolar.  Essa é uma informação importante para fazer boas compras como já falamos no primeiro item desta lista. 

Sexta e última dica, porque neste momento você precisa de informações básicas, compre livros sobre arte, preferencialmente contemporânea, leia artigos, matérias, folhetos e catálogos de exposições. É importante saber o que se discute no mundo das artes para fazer as melhores escolhas. Fazer “amizade” com galeristas, que são quase sempre os primeiros a apresentar os artistas ao público e quase sempre estão atentos ao que os artistas estão produzindo, ajuda a conhecer mais do mercado e com isso fazer melhores escolhas. 

Um comentário antes de encerrar. Lembre-se de que ao comprar uma obra de um artista contemporâneo, você estará conversando com as pessoas que têm as mesmas angústias, necessidades, desejos, esperanças e questionamentos que você. A arte contemporânea é em grande medida um reflexo do seu próprio tempo. 

Se você precisar de uma ajuda pra saber mais sobre jovens artistas promissores, estamos aqui na 202 Norte, Bloco B Loja 11, Subsolo, Brasília e também nas redes sociais.

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